Descrição

Este projeto está intimamente ligado à criação artística do ator, suas abordagens, reflexões e métodos. Ele está no âmbito da pesquisa do corpo cênico, de seus movimentos e de sua continua (re)significação perante quem o assiste e, por sua vez, da sua própria (re)organização.
Para isso, cartografei meu próprio processo de aprendizagem e criação através dos diálogos entre o método de educação do movimento, Body Mind Centering®, inicialmente desenvolvido pela americana Bonnie Bainbridge Cohen, das formas de extração e codificação de matrizes corporais mapeadas por Renato Ferracini, e dos princípios da performance estudados por Renato Cohen.
Assim, o desafio desta pesquisa foi a utilização do material perceptivo, proveniente da prática corporal, para a elaboração cênica. Ou seja, transcrever as sensações em matrizes codificadas, visando uma apresentação final em que este procedimento fosse (in)visível.

PESQUISA DE MESTRADO
CONCLUÍDA
ORIENTADOR: PROF. DR. ARMANDO SÉRGIO DA SILVA

17.11.09

Como desvendar?



O primeiro exercício proposto pelo professor ao CEPECA foi narrar com o máximo de detalhes a história escolhida. Para isso, roterizei o conto; separei partes; colori e o espalhei com letras grandes em folhas brancas.
De acordo com o professor, essa fase permite que o ator se comprometa com sua criação, analisando, ao mesmo tempo, que vive prazerosamente a dramaticidade de seu estímulo. Portanto, inerente ao ato de narrar está a atualização de memórias. Nos entrelaçamos aos estímulos, percebendo-os como impulsos físicos e iscas para memórias. A escolha das palavras e suas enunciações são exercícios de exposição. O ator já é colocado num espaço vulnerável e de risco onde suas ações o lançam para a experiência. Assim, provamos os sabores, as cores, os sons, os movimentos, os cheiros e as texturas das palavras selecionadas e pronunciadas.
Através desse procedimento, pude organizar a estrutura literária numa narrativa dramática, percebendo ações, tempos e espaços. Ganhei consciência dos fatos que me impulsionavam à criação, ao “prazer teatral”, por exemplo: as cenas em que a protagonista vê o cego e sua experiência no Jardim Botânico; as expressões paradoxais e o desafio de corporificá-las em cena.

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