Descrição

Este projeto está intimamente ligado à criação artística do ator, suas abordagens, reflexões e métodos. Ele está no âmbito da pesquisa do corpo cênico, de seus movimentos e de sua continua (re)significação perante quem o assiste e, por sua vez, da sua própria (re)organização.
Para isso, cartografei meu próprio processo de aprendizagem e criação através dos diálogos entre o método de educação do movimento, Body Mind Centering®, inicialmente desenvolvido pela americana Bonnie Bainbridge Cohen, das formas de extração e codificação de matrizes corporais mapeadas por Renato Ferracini, e dos princípios da performance estudados por Renato Cohen.
Assim, o desafio desta pesquisa foi a utilização do material perceptivo, proveniente da prática corporal, para a elaboração cênica. Ou seja, transcrever as sensações em matrizes codificadas, visando uma apresentação final em que este procedimento fosse (in)visível.

PESQUISA DE MESTRADO
CONCLUÍDA
ORIENTADOR: PROF. DR. ARMANDO SÉRGIO DA SILVA

19.11.09

Impressões Ósseas: improvisações

Na sala de ensaio, espalhei meus anteparos como na microcena realizada anteriormente. Selecionei o princípio de traçar ossos para iniciar o trabalho. Coloquei minha atenção nos membros superiores e, com o auxílio de imagens, comecei a traçar meus ossos e juntas.
No antebraço, primeiramente, senti minha pele e gentilmente convidei o tecido ao toque. Minha atenção, aos poucos, foi se aprofundando, atravessando pele, gordura e músculos até encontrar a claridade dos meus próprios ossos, o eixo do meu braço. A partir desse momento, minha mente deveria se manter calma e aberta, pois era a partir dela que fazia contato com o tecido.
Minhas mãos seguiram ao longo dos ossos, sequenciando-os...
Espirais, Feixes de luz, Encaixes, Alavancas, Engrenagens, Suporte, Estrutura sólida e maleável...
Tomada pela claridade dos ossos e leveza da cintura escapular, iniciei a exploração pelas mãos e seus pensamentos. Simbolicamente, as mãos vêem... então deixei-me conduzir por seus olhos curiosos... Surgiu a necessidade de tocar e desenhar o espaço. Mãos quentes e luminosas tocavam o ar, as paredes, o chão, a pele e atravessavam o entorno com gestos, empurrões, impulsos, riscos, linhas...
Música - Ne me quitte pas.
Meus olhos contemplam a dança das minhas mãos. Elas, pouco a pouco, transformam-se em paisagens, bichos, flores... e dançam o Jardim Botânico. Vejo-me Ana, sentada, olhando a mão-árvore, a mão-aranha, a mão fruto, a mão-verme, a mão-decomposição. Vejo-me Ana, vendo seu próprio gesto relacionado à natureza.

“Cada dedo é, por assim dizer, uma arvorezinha,
tem seu segredo e seu poder”.
“A mão espalmada é a imagem de uma árvore”.


“No tronco da árvore pregavam-se
as luxuosas patas de uma aranha.
A crueza do mundo era tranqüila.
O assassinato era profundo. E a
morte não era o que pensávamos”.

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